Joe Bell

A must-see film. Reid Miller’s performance is astonishing and Mark Wahlberg too.

The only tiny detail that it could make it even better is a bit flaws during the story telling… But it still ca brings us to our knees with this true story.

And it made me write something about one of humanities worst nature, not accepting the diference… Sad but still so damn true…

One of the biggest scourges at school is bullying. The difficulty that human beings have in accepting the difference is something that transcends me. Why do we all have to be the same? Why is the supposed normality established in society? What is it really like to be normal?
Everything that escapes the conception of a hypocritical, selfish and individualistic society, which is governed by social position, not looking to talent, to the struggle for personal achievement where sometimes difficulties are disqualified, but by the need to focus at any cost, destroys many a dreams, many struggles and unfortunately many lives.
Some people have become parasites, as they tend to live with the urge to be known at all costs, whether for the values ​​he has, good and bad, or for the prominence of power, which adds nothing to their existence, just inflating their pedantry. They have nothing to give, but they think they are all that others need.
Unfortunately, and with the dawn of the Internet, of the idea of ​​a global village, of the union of all, the reverse side of the coin was and is being very hard. Each time an individual centrism is denoted, each one sees himself as better than the other, that only what he/she says and writes is the absolute truth, where opinion becomes the rule… And with all the risks that this entails, if lives are lost, the supposed normality is further delimited.
Normal is a person to be happy, normal is a person to live with others, normal is to live in line with nature, normal is to respect, normal is to live and let live, normal is to fight for human rights, normal is a powerful word that only it must so simply mean openness and respect.
Let us live our lives and let each other live theirs.
Respect, tolerance, acceptance, friendship, will… Words that must be part of each one of us.
Let us be happy in our oneness. We are unique and in this way we make humanity brighter and more beautiful.

Zé-Tó

P.S. https://www.historyvshollywood.com/reelfaces/joe-bell/

Pirelióforo: em 1904 um padre português maravilhou a América com a energia solar

Na exposição mundial de São Luís, nos Estados Unidos, o padre Himalaia, um dos maiores inventores portugueses, deslumbrou os americanos com a energia solar.


 Padre Himalaya

O ambiente cultural e científico em Portugal nos primeiros anos do nosso século não era brilhante. A cultura científica e técnica estavam perto da estagnação. As instituições que a elas se dedicavam eram escassas. As publicações nesta área eram também poucas e de qualidade vária. Uma das publicações de maior longevidade era o Boletim de Obras Públicas e Minas órgão da Associação dos Engenheiros civis (que também congregava os engenheiros militares) e que tem hoje continuidade na Ordem dos Engenheiros. Uma análise, ainda que breve, do Boletim de Obras Públicas e Minas da primeira década do nosso século dá-nos conta da quase inexistência de inovações científicas e técnicas produzidas por portugueses.
É certo que são divulgadas as estrangeiras. Mas a discussão ao nível interno, está ainda centrada na questão dos transportes, sobretudo dos Caminhos de Ferro. Neste panorama um pouco desolador avulta a figura de um homem que se interessou pelos mais variados campos da ciência e da técnica, tendo feito e patenteado inventos e produzido, ainda, reflexões no campo da economia e da política sociais. Referimo-nos ao Padre Manuel António Gomes, “Himalaia”, por apodo que incorporou no nome.


Pirelióforo

Manuel António Gomes nasceu em Cendufe, concelho de Arcos de Valdevez, um dos sete filhos de uma família de lavradores pobres do Minho. Terminou em 1880, com 11 anos de idade, os estudos elementares na escola primária do Souto, uma aldeia próxima da sua terra natal onde ao tempo vivia com os avós. Depois de uma interrupção nos estudos, período durante o qual trabalhou na lavoura familiar, ingressou em 1882, com 15 anos de idade, no Seminário de Braga, ficando integrado no Colégio do Espírito Santo, um instituto criado para acolher estudantes pobres. Tal como o seu irmão Gaspar, que também seria sacerdote, a família tinha-o destinado à vida clerical, ao tempo o destino dos jovens rurais que no ensino primário se revelavam bons alunos, mas cujas famílias não podiam suportar os custos do ensino liceal e superior.
As suas origens rurais, com forte ligação à agricultura e às crenças e tradições populares minhotas, influenciaram de forma marcada o seu pensamento: manteve ao longo de toda a sua vida um grande interesse pelas culturas agrícolas, em especial nas questões relativas à fertilização dos solos e da produção de adubos e da escolha de plantas e cultivares a empregar em função do solo e do clima. Outra vertente que o influenciaria profundamente foi o pendor para o curandeirismo e para a medicina popular, matéria a que dedicaria grande atenção. A estes interesses associava uma apaixonada curiosidade pelas ciências naturais, pelo contacto com a terra e pela observação empírica dos fenómenos.
A sua elevada estatura levou a que os colegas de seminário lhe dessem a alcunha de Himalaia, que adoptou informalmente, passando a utilizá-la como se fora parte do seu nome. Por essa razão, Manuel António Gomes passaria à posteridade como o «Padre Himalaia», o «Padre Himalaya» na grafia da época.
 
O Pyrheliophoro do Padre Himalaia
Entre os pioneiros do aproveitamento da energia do Sol e suas aplicações com finalidades úteis é justíssimo enaltecer a figura e a obra do Padre Himalaia. Nascido em Arcos de Valdevez (Cendufe) em 1868 e falecido em Viana do Castelo em 1933, consagrou grande parte da sua vida ao estudo de variadíssimas técnicas capazes de incrementar com menores custos a actividade económica, sobretudo a agricultura. Incansável homem de ciência, sem descurar a actividade pastoral, o Padre Himalaia fez registar inúmeras patentes de invenções suas, que abarcam de um explosivo de tipo novo para fins pacíficos, a “Himalaíte”, que chegou a comercializar, passando por motores ou aperfeiçoamentos para motores, até à sua mais conhecida invenção, o Pyrhéliophoro. Este invento, que é afinal um forno solar capaz de atingir elevadíssimas temperaturas conheceu quatro fases, cuja cronologia e evolução vamos tentar estabelecer.


Pirelióforo

De facto, entre 1899 e 1904 Himalaia terá construído e experimentado quatro diferentes versões do seu aparelho. Os poucos biógrafos que se têm ocupado da actividade do Padre Manuel António Gomes não estão de acordo no que respeita às datas e aos locais em que teriam funcionado os dois primeiros projectos. António Lopes Araújo indica o ano de 1900 para as duas primeiras experimentações respectivamente em Argeles (nos Pirenéus) e em Paris já um outro autor pretende que o aparelho terá sido inicialmente experimentado na capital gaulesa e a segunda versão terá funcionado nos Pirenéus. Avelino de Jesus da Costa indica que o primeiro aparelho terá de facto funcionado em Paris mas em 1899 e que no ano seguinte terá tido lugar a experiência nos Pirenéus Orientais. Também quanto aos resultados das experiências não há unanimidade. Alguns autores consideram que teriam sido insatisfatórios os resultados alcançados tanto nos Pirenéus quanto em Paris. Avelino J. da Costa aponta no entanto, que na primeira experiência o Padre Himalaia teria conseguido uma temperatura de cerca de 500° C, e logo com o protótipo seguinte, nos Pirenéus a temperatura obtida pelo forno solar rondou os 1100° C, o que está longe de ser um fracasso…
Onde todos os autores coincidem é no que respeita às duas fases seguintes do Pirelióforo. Parece ser ponto assente que o terceiro modelo, já diverso dos anteriores, foi construído em Lisboa em 1902 e montado no Parque de Exposições da Tapada da Ajuda onde funcionou algum tempo. Ali terá acorrido grande parte da sociedade científica lisboeta, muitos professores e, até, o rei D. Carlos assistiu a uma demonstração. Com este aparelho o Padre Himalaia obteve 2000° C. de temperatura, tendo fundido blocos de basalto, rocha que, como é sabido, é de difícil fusão. A última versão destinou-se a ser montada e exibida no Pavilhão Português na Exposição Universal de St. Louis (E.U.A.) de 1904. Este derradeiro modelo do Pirelióforo, nome que de resto, parece só então ter sido adoptado, foi premiado na citada Exposição Universal com o “Grand Prize”, duas medalhas de ouro e uma de prata. O invento foi saudado pela comunidade científica e atraiu os elogios de toda a imprensa mundial, com particular ênfase da americana. Mesmo o circunspecto New York Times lhe dedicou uma primeira página que incluía uma entrevista ao cientista português. A versão final do Pirelióforo era capaz de produzir uma temperatura de 3800° C. o que permitia efectuar a fusão de quaisquer rochas ou metais, já que nenhuma substância destes tipos necessita de uma temperatura superior para ser fundida


Pirelióforo

Este aparelho compreende essencialmente um sistema óptico que faz convergir os raios solares num ponto único onde está colocado o cadinho; compreende além disso um mecanismo tendo por função orientar o aparelho numa posição conveniente segundo a altura do sol no horizonte e segundo a época do ano, de maneira a manter sempre a convergência dos raios no ponto em que se encontra o cadinho e ainda um sistema de cadinho ou forno preparado para a mudança automática dos materiais a fundir, permitindo fazer a fusão no vácuo ou num meio inerte ou diferente do meio atmosférico.
Temos, pois, que o Pirelióforo era inicialmente um gigantesco forno destinado a fusão, capaz de obter altas temperaturas sem dispêndio de energia, isto é, usando exclusivamente a energia fornecida pelo Sol. O aparelho, como fica descrito, compunha-se de três partes distintas: uma calote de material cristalino destinado a receber e concentrar os raios solares, o forno propriamente dito e um complicado mecanismo de relojoaria que permitia ajustar todo o aparelho ao movimento aparente do Sol durante todo o dia, bem como a posição do forno em relação aos reflectores.


Pirelióforo

O modelo de St. Louis incluía uma parábola de 80m2 composta de 6 177 espelhos reflectores que convergiam para o cadinho. A armação metálica que sustentava o aparelho media 13 metros de altura. Talvez esta envergadura gigantesca tenha contribuído para que o invento português tenha sido dos mais apreciados e dos que chamou maior número de visitantes na Exposição Universal. Findo o certame o Pirelióforo foi desmontado, encaixotado e depositado num armazém. O padre Himalaia demorou-se nos Estados Unidos por dois anos, estudando com físicos e matemáticos de nomeada e proferindo lições e conferências nos mais variados estabelecimentos científicos americanos.


Pirelióforo

Quando na hora de regresso quis reaver o seu invento verificou-se que tinha sido roubado, não obstante o peso e as dimensões que apresentava. Já desanimado pela funesta ocorrência, já porque o seu espírito se ocupava agora de novos inventos, nunca mais o Padre Himalaia se ocupou da energia solar nem do Pirelióforo.
Logo durante a exposição o Padre Himalaia teve várias ofertas de compra do engenho, incluindo uma do Japão que pagava 350 contos pelo invento. Parece que por razões de brio patriótico o sábio português recusou a venda do aparelho solar, bem como recusou a naturalização como cidadão americano que lhe tinha proposto o Governo da União.
 
A máquina que fazia chover
No Verão de 1913 uma seca enorme afligia o país, sendo o Alentejo a região mais afectada. O padre Himalaya apresenta, em Julho desse ano, uma comunicação sobre o processo de fazer chover, baseando-se numa acção conjugada vertical e horizontal sobre um prisma de ar provocado pelo tiro sincronizado de vários canhões. O aparelho que criou para o efeito era um múltiplo canhão, orientável, que assentava num polígono especial e permitia o disparo em simultâneo de explosivos que criavam um embate vertical e horizontal entre as nuvens, provocando a chuva. Foram feitas experiências na zona da Serra da Estrela sobre as quais testemunhos credíveis afirmam terem caído umas gotas de chuva nesses dias quentes de Verão!
Sobre as experiências foi declarado oficiosamente que os resultados, embora concludentes, impunham muitos gastos em explosivos. O método foi por isso abandonado devido ao seu elevado custo.
Destas experiências, sobre o uso de canhões especiais para fazer chuva artificial, nasceu uma história rocambolesca, muito difundida logo após a Grande Guerra de 1914-1918. É mais um enigma sobre a vida e obra de M.A.G. Himalaya. Circularam boatos que diziam que o canhão, falsamente chamado de “Grosse Bertha” ou “Wilhelm Geschutz”, teria sido realizado pelos alemães a partir dos planos roubados ao Padre Himalaya.

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